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BOAS PRÁTICAS

Maracujá doce: Brasil é maior produtor mundial da frutífera.

13 de Setembro de 2016

O maracujá-doce (Passiflora alata Curtis), espécie nativa da América do Sul, especialmente do Brasil, é uma frutífera que apresenta grande potencial de comercialização destinado principalmente, para o mercado in natura, tanto interno como também para exportação, devido às suas boas características de tamanho, coloração externa, aroma e qualidades gustativas.


Atualmente, o maracujazeiro amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg.) é a espécie mais cultivada no Brasil. No entanto, o interesse pelo maracujazeiro doce (Passiflora alata Curtis) tem crescido devido à qualidade dos frutos para consumo in natura e preços maiores alcançados no mercado, além de ser resistente a fusarium.

 

A frutífera recebe os nomes de maracujá de refresco, maracujá de comer ou maracujá-doce. A sua propagação, em quase cem por cento dos pomares, é realizada por meio de sementes. É uma trepadeira que apresenta o caule quadrangular e frutos ovais a piriformes, com diâmetro médio ao redor de 8,16 cm, comprimento de 9,59 cm e massa média de 256,13 g, amarelos ou laranja, comestíveis e adocicados, com polpa muito perfumada. Produz o ano inteiro, com ligeiro declínio em setembro, outubro, novembro. Há dois picos de produção dos frutos, normalmente em dezembro-janeiro e em abril-maio.

 

O maracujazeiro, cultura de clima quente e úmido se desenvolve bem nas regiões tropicais e subtropicais. A planta deve ser cultivada em temperaturas entre 18 ºC e 35 ºC. Temperaturas baixas retardam o crescimento da planta e reduzem a produção. Além disso, temperaturas muito elevadas ou muito baixas afetam o vingamento dos frutos.

 

A umidade relativa do ar em torno de 60% é a mais favorável ao cultivo do maracujazeiro. Acima dessa porcentagem, quando associados às chuvas, favorece o aparecimento de doenças na parte aérea do maracujazeiro, como verrugose, antracnose e bacteriose.

 

A demanda de água varia de 800 mm a 1.750 mm durante o ano e cerca de 60 mm a 120 mm de água mensal, que pode ser fornecida por meio de chuvas ou complementada pela irrigação.

 

A luz é um fator de extrema importância na vida do maracujazeiro, por meio dela é realizada a fotossíntese, processo fundamental à sua nutrição e a todas as suas atividades biológicas. Regiões que apresentam acima de 11 horas diárias de luz, proporcionam melhores condições para o florescimento.

 

O maracujazeiro é suscetível a ventos fortes, que podem ocasionar danos diretos às plantas, como o tombamento. Ventos frios, por sua vez, provocam queda de flores, frutos novos e paralisam o crescimento da planta. Além dos efeitos diretos, os ventos fortes tornam necessárias adaptações nos sistemas de condução do plantio.

 

Levando em consideração esses fatores, o uso de quebra-ventos torna-se indispensável ao maracujazeiro em regiões sujeitas aos ventos frios e fortes. O bambu, grevilea, pinus, hibiscus, eucalipto e algumas espécies de capim podem ser utilizados como quebra ventos, desde que estejam desenvolvidos quando o plantio for instalado.

 

Os solos para o cultivo do maracujazeiro devem ser profundos (> 60 cm), bem drenados, ricos em matéria orgânica, de textura média (areno-argiloso) e com relevo plano a ligeiramente inclinado. O preparo do solo objetiva proporcionar condições físicas satisfatórias para o desenvolvimento do sistema radicular do maracujazeiro, para maior absorção de água e nutrientes. Recomenda-se uma aração de 30 cm de profundidade com posterior gradagem, iniciadas, pelo menos, um mês antes do plantio.

 

Quando recomendada, a calagem deve ser aplicada a lanço em toda a área e incorporada preferencialmente um a dois meses antes do plantio. Recomenda-se a aplicação de calcário dolomítico que contém cálcio (Ca) e magnésio (Mg).

 

A aplicação dos adubos deve ocorrer em períodos com teor adequado de água no solo. Recomenda-se realizar a irrigação após a adubação. Nos pomares em formação, colocar os adubos em uma faixa de aproximadamente 20 cm de largura ao redor do tronco e distante 10 cm, aumentando gradativamente essa distância com a idade do pomar. Em pomares adultos, aplicá-los em círculo ou faixa, sempre com largura superior a 20 cm e distante 20 a 30 cm do tronco, onde estão as raízes absorventes.

 

A adubação orgânica é uma prática importante, pois exerce efeitos benéficos sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. As quantidades a serem aplicadas nas covas de plantio, principalmente em solos arenosos e de baixa fertilidade, variam de acordo com o tipo de adubo orgânico empregado, ou seja, esterco de curral (20 a 30 litros), esterco de galinha e torta de mamona (5 a 10 litros), podendo utilizar outros compostos disponíveis na região ou propriedade. Se possível, aplicar anualmente a mesma quantidade de adubo orgânico em cobertura.

 

As quantidades de macronutrientes recomendadas para o maracujazeiro no Brasil variam, de acordo com a região, dos teores encontrados no solo, exceto nitrogênio (N), e da produtividade esperada. As quantidades de nitrogênio recomendadas para a cultura no Brasil são variáveis, com amplitude de 40 a 200 kg de N/ha. As quantidades de fósforo (P2O5) e potássio (K2O) recomendadas para a cultura, que dependem do teor encontrado no solo, variam de 0 a 160 kg de P2O5 /ha e de 0 a 420 kg de K2O /ha respectivamente. Em solos arenosos e pobres em matéria orgânica podem ocorrer deficiências de micronutrientes, principalmente boro (B) e zinco (Zn). Os micronutrientes, quando deficientes, podem ser supridos via solo ou foliar. No plantio recomenda-se colocar 50 g FTE BR 12/cova ou 4 g de Zn e 1 g de B/cova. Via foliar recomenda-se três pulverizações contendo sulfato de zinco a 0,3% e três com ácido bórico a 0,1%. Nas pulverizações foliares adicionar cloreto de potássio a 0,3% ou ureia a 0,5% para aumentar a eficiência da absorção.

 

O maracujazeiro pode ser propagado por meio de sementes, estaquia e enxertia. Para as condições brasileiras, o uso de sementes é o meio de propagação mais utilizado, por ser um método barato e de fácil execução. As sementes utilizadas devem ser retiradas de plantas vigorosas, produtivas, precoces, resistentes a doenças e pragas, originárias de frutos grandes e maduros e com grande percentagem de suco. Um aspecto importante a ser mencionado é que o fruticultor deve retirar sementes de vários frutos colhidos em diferentes plantas e não de muitos frutos de poucas plantas, isso diminui o problema de incompatibilidade da lavoura.

 

Para a retirada de sementes, os frutos devem ser colhidos maduros. Com o auxílio de uma colher, as sementes são retiradas, colocadas em uma peneira e lavadas em água corrente, para retirar a mucilagem que as envolve. Logo após, deve-se formar uma camada fina de sementes sobre folhas de jornal ou sobre pano, que absorve o excesso de umidade, deixando secar a sombra. Também pode ser usado um despolpador, adaptado a um liquidificador, que retira a mucilagem de maneira que não danifica as sementes.

 

As sementes podem ser acondicionadas dentro de sacos plásticos, de maneira que a menor quantidade de ar esteja em contato com as mesmas. A seguir podem ser guardadas em geladeira doméstica com temperatura de 5-10 ºC. Assim as sementes podem ser guardadas por cerca de um ano, conservando sua qualidade.

 

Na produção de mudas geralmente são usados sacos plásticos de 10 cm x 25 cm ou 18 cm x 30 cm. Utiliza-se como substrato uma mistura de três partes de terra para uma de esterco de curral bem curtido, a fim de obter mudas sadias. O esterco usado deve estar devidamente maturado. Quando proveniente de gado em sistema de confinamento, o esterco pode apresentar maior teor de potássio e sódio, devendo, portanto, ser utilizado em menor proporção com a terra. Colocar em cada saco plástico de 3 a 6 sementes, com um centímetro de profundidade, cobrindo com uma leve camada de terra. Para formação de 1.000 mudas são necessárias 130 g de sementes.

 

Na produção com tubetes devem ser utilizados substratos leves, sem adição de terra, formados pela mistura de diversos tipos de resíduos orgânicos como turfa, vermiculita, esterco, casca de árvores e vermicomposto. Nestes casos, por ser o volume do tubete muito pequeno, a complementação mineral é necessária. Algumas práticas culturais como desbaste no viveiro, controle fitossanitário, irrigação, seleção de mudas e adubação devem ser realizadas conforme a necessidade.

 

O plantio das mudas no campo deve ser efetuado quando estiverem com 15 a 25 cm ou até 30 cm de altura, o que pode ocorrer de 45 a 70 dias após a semeadura. Nessa ocasião, tem início a emissão das gavinhas. Com irrigação, o plantio pode ser feito em qualquer época do ano. Sem irrigação, as mudas devem ser levadas para campo no início das chuvas. O espaçamento mais recomendado é de 4 a 6 metros entre plantas e de 3 a 4 metros entre linhas.

 

Por ser uma planta trepadeira, precisa de um sistema de sustentação para sua condução. Um único broto deverá ser conduzido através de um tutoramento até o arame situado no topo dos mourões para a formação natural da ramagem. Os sistemas mais utilizados na condução do maracujazeiro são: latada (caramanchão) e espaldeira vertical.

 

O sistema latada ou caramanchão é o que geralmente apresenta maior produtividade, frutos com coloração uniforme, no entanto, seu custo é mais elevado. O caramanchão deve ser construído trançando-se o arame a cada 0,5m, com espaçamento de 4 a 6 m entre mourões e altura em torno de 2,0 m. As laterais devem ter o comprimento de no máximo 50 m.

 

Já espaldeira vertical ou cerca pode ser feita com mourões e estacas com 2,0 m de comprimento, espaçados de 4 a 6 m com 1 ou 2 fios de arame liso número 12, sendo que o superior deve ficar a 2 m do solo e o segundo espaçado à 40 cm do primeiro. Para que os postes fiquem firmes e possam suportar todo o peso da massa vegetativa, devem ser enterrados cerca de 50 cm.

 

É recomendável que a cerca tenha altura livre de 2,0 m e no máximo 120 m de comprimento, constituída de postes de 10 cm de diâmetro nas extremidades e a cada 40 m utiliza-se postes com diâmetro superior a 20 cm, chamados de esticadores, os quais devem ser enterrados com pelo menos 1 m de profundidade. Os esticadores das extremidades devem ser fincados com uma inclinação de 15 a 45°. Para facilitar os tratos culturais recomendam-se espaldeiras com o comprimento máximo de 100 m, utilizando-se mourões reforçados com sistema de travamento (ancoragem) nas extremidades e pelo menos mais dois mourões intermediários. Nos espaçamentos entre plantas deve-se colocar, conforme a necessidade, repiques de madeira ou bambu.

 

A produção de frutos ocorre em ramos do ano, o que propicia acúmulo de massa vegetal no sistema de condução com o passar dos anos, sendo necessário o uso de podas. Nestes destacam-se: a poda de limpeza, que consiste na eliminação dos ramos secos e doentes, e a poda de renovação, que consiste no corte de ramos secundários e terciários, após a frutificação, até três a quatro nós (gemas) em relação à base. A renovação da cultura é geralmente realizada a cada 2 ou 3 anos.

 

O maracujá-doce pode ser comercializado em caixas papelão de 3 kg, em embalagens individuais ou a granel em feiras e sacolões. O preço médio recebido pelos produtores na primeira quinzena de agosto de 2012 foi de R$ 2.73 /kg, O maracujá doce vendido por unidade chega a custar até mesmo R$ 3 cada, dependendo da época.

 

Elaborado por:

Casa do Produtor Rural (CPRural)

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/USP

 

Luiz Henrique Parreira Avelino

Graduando em Engenharia Agronômica - ESALQ/USP

Ex-estagiário - Casa do Produtor Rural

 

Katia Fernanda Dias Rodrigues

Graduanda em Engenharia Agronômica - ESALQ/USP

Estagiária - Casa do Produtor Rural

 

Acompanhamento técnico

Fabiana Marchi de Abreu

Engenheira Agrônoma

CREA: 5061273747

 

Coordenação editorial:

Marcela Matavelli

Agente de Comunicação

DRT 5421SP

 

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