CIÊNCIAS FLORESTAIS

 

Contribuições Científicas e Tecnológicas para o Desenvolvimento do Setor Florestal

O setor florestal brasileiro é reconhecido, nacional e internacionalmente, como um dos mais desenvolvidos e prósperos. Essa evolução está vinculada à efetiva necessidade de aumentar o suprimento de produtos florestais para fins industriais (celulose, energia, serraria, siderurgia, laminados, aglomerados, construção civil, dentre outros) e de conservação ambiental. Neste aspecto, o florestamento com espécies de rápido crescimento tem sido estratégico para diminuir a pressão de exploração sobre as florestas naturais na região centro-sul. O LCF tem dado expressiva contribuição para esse progresso em várias áreas do conhecimento.

As pesquisas pioneiras em melhoramento genético florestal, principalmente do Eucalyptus,  propiciaram considerável aumento do banco de germoplasma e da qualidade  genética das plantações florestais. Atualmente, grande parte desse material genético está preservado nas Estações Experimentais de Ciências Florestais de Anhembi e Itatinga, gerenciadas pelo LCF. Por meio do conhecimento gerado e do banco genético disponível, foi possível estruturar na década de 70 o primeiro setor de produção e certificação de sementes florestais do país. Com os êxitos obtidos, em 1977, o IBDF (atual IBAMA) criou a Comissão de Controle de Sementes Florestais.

No campo da fisiologia e nutrição florestal, foram desenvolvidos novos métodos de propagação de árvores, como a macro e a micropropagação vegetativa de espécies de Eucalyptus e Pinus. Com isso,  tem sido possível melhorar a adaptação das árvores em condições de estresse ambiental, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de madeira em povoamentos clonados, em franca expansão nas Regiões Sudeste, Sul e Nordeste.

Alicerçando as técnicas de silvicultura intensiva, diversas pesquisas têm sido feitas na área de monitoramento ambiental, principalmente no campo da hidrologia, solos, ecologia e manejo ambiental de plantações florestais. Em hidrologia, as pesquisas têm contemplado os aspectos hidrológicos de interceptação das chuvas, de regime da água do solo e da evapotranspiração, contribuindo para o esclarecimento de muitas das especulações a respeito do impacto das plantações de eucalipto sobre os recursos hídricos. Vários estudos sobre ecofisiologia, fertilidade dos solos e ciclagem de nutrientes têm servido de base para a definição de novas diretrizes de uso e manejo dos solos de baixa fertilidade usados para fins florestais.

Um dos grandes avanços da silvicultura brasileira no fim da década de oitenta e na década de noventa foi a conscientização e a abolição da queima como forma de limpeza do terreno e a adoção de técnicas conservacionistas para o manejo do solo, o que culminou na implementação do que se convencionou chamar Cultivo Mínimo do solo. Na fase de consolidação da nova técnica, o LCF participou ativamente, conduzindo pesquisas que estão contribuindo para a superação de paradigmas inadequados e o desenvolvimento de novas tecnologias compatíveis com a nova realidade.

As áreas de dendrometria, inventário, economia e administração florestal vêm aprimorando as técnicas de planejamento florestal, por meio da aplicação de princípios modernos e da estruturação de planos de manejo florestal mais racionais técnica e economicamente. Na área de mecanização e colheita florestal, um das mais onerosas no processo silvicultural, as pesquisas têm norteado o desenvolvimento de métodos de corte e extração da madeira com baixo potencial de compactação do solo, além da preocupação com os aspectos ergonômicos do trabalho.

As pesquisas nos últimos 20 anos sobre a biologia, estrutura genética, silvicultura de espécies arbóreas e manejo de fauna das florestas naturais do Brasil, ocorrentes em grandes maciços ou em fragmentos, têm permitido delinear novas estratégias de preservação e recuperação de ecossistemas florestais, principalmente, nas regiões Amazônica, Mata Atlântica e Cerrado. Significativa parte das áreas em reflorestamento com plantio misto de espécies nativas, particularmente na Região Centro-Sul, utilizam princípios de sucessão florestal e modelos de associação de espécies delineados a partir de estudos realizados com apoio do LCF. Também como fruto dessas pesquisas, o IPEF, em parceria com o LCF, consolidou-se como o principal produtor de sementes certificadas de espécies nativas no Brasil.

Na área de tecnologia da madeira, os estudos básicos sobre a anatomia da madeira, produção de pasta celulósica e papel, produção de carvão vegetal, serraria, laminação, secagem e preservação da madeira, têm permitido a racionalização técnica e econômica de uso de madeiras de diversas espécies florestais.

Enfim, as pesquisas conduzidas pelo LCF têm propiciado expressiva contribuição para o desenvolvimento tecnológico do setor florestal por meio de uma visão e ação holística de uso e conservação dos recursos florísticos, hídricos e edáficos, e de atendimento das demandas sociais e econômicas. Assim, além de promover o aumento da produtividade, da qualidade e da rentabilidade dos produtos florestais, procura assegurar a qualidade ambiental e a promoção social.

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