Durante junho de 2026, o regime de precipitação manteve-se concentrado na faixa setentrional do país. Os maiores acumulados ocorreram na Região Norte, especialmente em áreas do Amazonas, Acre, Roraima, Amapá e norte do Pará, onde predominaram volumes entre 150 e 240 mm, com registros pontuais superiores a 240 mm. No Nordeste, as chuvas foram mais expressivas na porção norte e em trechos da faixa litorânea, enquanto o interior da região apresentou menores acumulados. No Centro-Oeste, Sudeste e em grande parte do interior nordestino, prevaleceram volumes inferiores a 60 mm, caracterizando a consolidação do período seco. Na Região Sul, a distribuição espacial das chuvas foi heterogênea, com maiores volumes no Rio Grande do Sul e em parte de Santa Catarina, ao passo que o Paraná registrou, predominantemente, acumulados baixos a moderados.

Em relação ao armazenamento de água no solo, expresso como percentual da capacidade de água disponível (% CAD), observou-se acentuado contraste entre as regiões. A Região Norte apresentou as condições hídricas mais favoráveis, com predominância de valores entre 60% e 90% e áreas pontuais superiores a 90%. Na faixa norte do Nordeste, os níveis de armazenamento variaram, em geral, entre 30% e 60%, enquanto o interior da região apresentou maior restrição hídrica. No Centro-Oeste, Sudeste e em parte do Nordeste, extensas áreas registraram armazenamento entre 0% e 15% da CAD, indicando condição de elevada deficiência hídrica. Na Região Sul, as condições foram relativamente mais favoráveis, com predominância de valores entre 45% e 75%, além de áreas pontuais com níveis superiores.

As temperaturas máximas permaneceram elevadas em grande parte do território nacional. Nas regiões Norte, Nordeste e em amplas áreas do Centro-Oeste, predominaram valores entre 29°C e 31°C, com registros pontuais entre 31°C e 35°C, sobretudo no interior nordestino e em áreas do Brasil Central. No Sudeste, as máximas ficaram majoritariamente entre 25°C e 29°C, com temperaturas mais elevadas no norte de Minas Gerais e em setores interioranos. Na Região Sul, foram observadas condições mais amenas, com máximas entre 25°C e 27°C em boa parte de Santa Catarina e do Paraná, enquanto o Rio Grande do Sul registrou valores inferiores a 25°C em extensas áreas.

Além disso, as temperaturas mínimas evidenciaram o avanço das condições típicas de inverno sobre o centro-sul do país. Na Região Norte, prevaleceram mínimas entre 21°C e 25°C, com áreas mais quentes acima de 23°C. No Nordeste, os valores situaram-se principalmente entre 19°C e 23°C. No Centro-Oeste, predominaram mínimas entre 19°C e 21°C, enquanto no Sudeste os valores variaram, em geral, entre 17°C e 19°C, com registros mais baixos nas áreas serranas e no sul da região. Na Região Sul, prevaleceram temperaturas mínimas entre 15°C e 17°C, com valores inferiores a 15°C no extremo sul do país e em áreas de maior altitude.

Tempo e gricultura brasileira

Milho 1ª safra

A colheita do milho primeira safra encontra-se concluída ou em fase final na maior parte das regiões produtoras. Conforme o monitoramento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o final de junho, 95,3% da área nacional já havia sido colhida. Os trabalhos estavam finalizados em Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e Pará; na Bahia, aproximavam-se da conclusão, enquanto no Maranhão ainda avançavam nas diferentes regiões produtoras.

No Rio Grande do Sul, a Associação Rio-Grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural/Associação Sulina de Crédito e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) informou que a colheita está tecnicamente encerrada, restando apenas áreas residuais, principalmente na Metade Sul. A produtividade média estadual foi reestimada em 7.362 kg/ha, em uma área cultivada de aproximadamente 812,5 mil hectares.

Em Santa Catarina, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), por meio do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), indica que a safra está concluída na maior parte do estado. As lavouras apresentaram produtividade e qualidade predominantemente boas, com destaque para as regiões Oeste e Meio-Oeste.

Milho 2ª safra

O milho segunda safra encontra-se em fase de maturação e colheita, com ritmo variável entre as principais regiões produtoras. Segundo a Conab, 18,8% da área nacional havia sido colhida até 29 de junho. Em Mato Grosso, a colheita avançou mesmo diante de precipitações em algumas regiões. No Paraná, as operações ainda eram incipientes, enquanto, em Mato Grosso do Sul, as chuvas beneficiaram lavouras tardias. Em Goiás e Minas Gerais, a maior umidade dos grãos e as condições meteorológicas restringiram temporariamente o avanço das operações.

No Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontou colheita de 32,4% da área até o fim de junho. A estimativa para a safra 2025/26 é de 7,39 milhões de hectares, produtividade média de 120,28 sacas por hectare e produção de 53,35 milhões de toneladas.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) estima produção de 17,6 milhões de toneladas em 2,91 milhões de hectares. Até 29 de junho, 5% da área havia sido colhida, enquanto 79% das lavouras permaneciam classificadas em boas condições. Embora tenham ocorrido geadas em áreas do estado, os impactos esperados são considerados localizados e, até o momento, não indicam alteração significativa na estimativa final de produção.

Em Santa Catarina, a segunda safra apresenta redução expressiva de área, estimada em aproximadamente 28,5%, em função da menor intenção de plantio. Apesar da expectativa de incremento da produtividade média, a produção total deve recuar cerca de 19%, refletindo, sobretudo, a menor área cultivada e as perdas associadas à estiagem ocorrida em março, especialmente no Alto Vale do Itajaí.

Soja

A colheita da soja está encerrada nas principais regiões produtoras do país. No Mato Grosso, o Imea registrou a conclusão da colheita da safra 2025/26 e mantém, para o ciclo 2026/27, estimativa de 13,05 milhões de hectares, produtividade média de 62,44 sacas por hectare e produção de 48,88 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar reavaliou a produtividade média estadual em 2.707 kg/ha, resultado 14,8% inferior ao inicialmente projetado. O desempenho da cultura foi condicionado pela elevada variabilidade espacial das precipitações ao longo do ciclo, o que resultou em diferenças expressivas de rendimento entre regiões e municípios.

Em Santa Catarina, a Epagri/Cepa estima produção total de aproximadamente 3,09 milhões de toneladas na safra 2025/26, considerando primeira e segunda safras. O resultado representa redução de 5,2% em relação ao ciclo anterior, refletindo menores rendimentos nas duas etapas de cultivo, apesar da expansão da área cultivada na segunda safra.

Arroz

A colheita do arroz encontra-se praticamente concluída no país. De acordo com o nono levantamento da Conab, a produção nacional está estimada em aproximadamente 11,1 milhões de toneladas, resultado 13,2% inferior ao obtido na safra anterior.

Em Santa Catarina, a colheita foi encerrada e a Epagri/Cepa estima produção de aproximadamente 1,26 milhão de toneladas. A área cultivada apresentou redução de 1,32%, enquanto a produtividade foi estimada em 8.787 kg/ha, 1,78% abaixo da safra anterior. O cenário de elevada disponibilidade interna continua pressionando o mercado, contribuindo para a manutenção de preços menos remuneradores ao produtor.

Algodão

A colheita do algodão encontra-se em estágio inicial nas principais regiões produtoras. Conforme a Conab, 3,8% da área nacional havia sido colhida até 29 de junho. Em Mato Grosso, os trabalhos avançam gradualmente e tendem a ganhar intensidade nas próximas semanas. Na Bahia, a colheita ocorre de forma lenta, e o prolongamento do ciclo pode favorecer a qualidade da fibra e o desempenho produtivo. Em Mato Grosso do Sul, as chuvas interromperam temporariamente as operações de desfolha em algumas áreas, mas contribuíram para a manutenção da umidade no solo e para a formação de maçãs. Em Goiás, as precipitações também limitaram o ritmo da colheita, enquanto Minas Gerais mantém expectativa de boas produtividades e qualidade da fibra.

Com informações do Sistema TEMPOCAMPO