Estudo que reforça a importância da integração entre ciência animal, ciência de dados e bibliometria para enfrentar os desafios da agropecuária no século XXI foi realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), evidenciando que pesquisas sobre produção e clima crescem, porém o grande desafio é levar ciência ao campo.
Para transformar esse cenário, o zootecnista Robson Mateus Freitas Silveira, que atua na interface entre produção animal, mudanças climáticas e ciência de dados aplicada à agropecuária, realizou pesquisa para redefinir sistemas globais de produção animal. “O objetivo do trabalho foi analisar a estrutura, a evolução e as principais tendências da produção científica mundial sobre mudanças climáticas e produção animal, identificando temas emergentes, redes de colaboração, áreas consolidadas e lacunas de conhecimento que possam orientar futuras pesquisas e políticas públicas voltadas para a sustentabilidade da pecuária”, destacou o pesquisador.
O estudo, desenvolvido no Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA), da Esalq/USP, analisou 1.694 artigos científicos publicados entre 1974 e 2025 e indexados na base Scopus. “Utilizamos ferramentas de bibliometria, cientometria, ciência de dados e inteligência artificial para identificar padrões de publicação, redes de colaboração internacional, evolução temporal dos temas e tendências futuras da área. Os resultados mostram uma taxa anual de crescimento de 9,5% de pesquisas que tratam de mudanças climáticas e produção animal, sendo que 35,71% das publicações resultaram de colaborações”, explicou Silveira.
Durante a pesquisa foi observado que, nos últimos anos, houve um aumento expressivo de trabalhos relacionadas às mudanças climáticas e seus impactos sobre a produção animal. Entretanto, essas informações encontravam-se dispersas em diferentes áreas do conhecimento, dificultando a compreensão do que já se sabe, dos avanços alcançados e dos principais desafios futuros. A partir dessa observação surgiu a necessidade de realizar uma análise global capaz de mapear a evolução científica do tema e identificar lacunas estratégicas para orientar novas pesquisas. “As mudanças climáticas estão redefinindo sistemas globais de produção animal, com um incremento de pesquisas sobre o tema enquanto que a ciência ainda enfrenta o desafio de transformar o avanço do conhecimento em soluções aplicadas ao campo e a políticas públicas”.
Dessa forma, a pesquisa oferece uma visão estratégica sobre o futuro da produção animal diante das mudanças climáticas. Os resultados permitem identificar quais temas demandam maior investimento científico, quais tecnologias apresentam maior potencial de aplicação e quais regiões necessitam de mais atenção. Essas informações podem auxiliar pesquisadores, produtores rurais, empresas e formuladores de políticas públicas na construção de sistemas pecuários mais resilientes, eficientes e sustentáveis.
Além disso, o trabalho reforça a importância da integração entre ciência animal, ciência de dados e bibliometria para enfrentar os desafios da agropecuária no século XXI, evidenciando que a adaptação da produção animal às mudanças climáticas não depende apenas de tecnologias, mas também da inclusão social, da valorização do conhecimento local e da construção de políticas públicas baseadas em evidências científicas. “Acredito que a ciência tem um papel fundamental na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e capazes de garantir segurança alimentar para as próximas gerações”, finalizou Silveira.
Robson Mateus Freitas Silveira é Zootecnista pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), mestre em Zootecnia pela mesma instituição e doutor em Ciências pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Atualmente realiza estágio de pós-doutorado no NUPEA/ESALQ/USP, atuando na interface entre produção animal, mudanças climáticas e ciência de dados aplicada à agropecuária.
O trabalho foi realizado em parceria com a professora Concepta McManus, da Universidade de Brasília, e sob orientação do professor Iran José Oliveira da Silva, do depto. de Engenharia de Biossistemas, da Esalq/USP. Foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), além da infraestrutura científica e acadêmica da Universidade de São Paulo (USP).
Alicia Nascimento Aguiar | MTb 32531 | 11.08.2026