
Entre os dias 14 e 25 de julho, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) realizou o IX International School – 2025, com o tema Sistemas Tropicais de Produção de Base Biológica. O evento reuniu estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e docentes em uma programação intensiva voltada aos principais desafios da produção agrícola sustentável em regiões tropicais.
Este ano, além dos brasileiros, participaram estudantes dos EUA, Finlândia, China e África do Sul. Foram 22 participantes, de 9 universidades que, ao longo de duas semanas, tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos em temas como agricultura digital, biogás, irrigação, genética vegetal, restauração florestal, geotecnologias, bioenergia e produção sustentável de alimentos.
Uma das participantes foi Alina Dimakatso Ntsiapane, da University of the Free State, África do Sul. Ela participou do International School porque queria ampliar seu conhecimento sobre agricultura tropical. “Eu desejava aprender com um dos maiores produtores agrícolas do mundo: o Brasil”. A estudante disse que estava interessada em descobrir quais inovações e práticas permitiram ao Brasil alcançar tanto sucesso em sistemas alimentares, produção agrícola e agronegócio. “A atividade me apresentou desafios globais urgentes, como a contaminação do solo por metais pesados e como isso afeta a segurança alimentar e a saúde humana. Apreciei as estratégias práticas ensinadas para a remediação do solo, como o uso de biocarvão e fitorremediação. Não se trata apenas de lições técnicas — são ferramentas que espero usar no campo e em futuros trabalhos de desenvolvimento agrícola. Além da programação, Alina elogiou ainda a acolhida do povo brasileiro. “No geral, a experiência foi realmente enriquecedora. Foi também a minha primeira vez na América Latina, e fiquei emocionada com a cordialidade do povo brasileiro e a diversidade de culturas que encontrei. Estou animada para levar o conhecimento e a energia adquiridos com essa experiência e aplicá-los em minha terra natal, a África do Sul”.
Matheus de Almeida Salvador, aluno de Engenharia Agronômica da Esalq, participou do International School com a intenção de interagir com os estrangeiros, aprimorar o uso do idioma inglês e entender melhor os sistemas produtivos dos países participantes. “Sou da área de proteção de cultivos e fitotecnia e concluo que foi uma oportunidade ímpar para adquirir conhecimentos e práticas dessa área dos nossos pares estrangeiros”. O esalqueano falou ainda sobre a convivência com estudantes estrangeiros. “Na convivência com os alunos participantes, pude desenvolver meu senso crítico, entender o cenário agrícola de outros países e observar oportunidades no setor, tanto em pequenas propriedades como em grandes locais de produção”.
A programação incluiu aulas teóricas, atividades práticas, visitas técnicas a laboratórios, fazendas experimentais e centros de pesquisa da Esalq. Em paralelo, estudantes chineses participaram ainda do III Sustainable Tropical Agriculture School and Tech Tour.
O International School contou com a coordenação dos professores Aline Silva Mello Cesar, Brunno da Silva Cerozi e Rafael Munhoz Pedroso, e com o apoio do Escritório de Relações Internacionais da Esalq. Professores de diversos departamentos contribuíram com aulas e discussões interdisciplinares, totalizando 60 horas de atividades e reforçando a abordagem ampla e integrada da iniciativa.
De acordo com a professora Aline Cesar, a principal mudança positiva na edição deste ano foi a substituição das visitas externas pela exploração interna da Esalq “Os alunos visitaram laboratórios, a Fazenda Areão e se mostraram entusiasmados com a experiência, especialmente com os temas referentes à sustentabilidade e agricultura tropical. Além disso, as apresentações finais sobre soluções no sistema agroalimentar foram excelentes”.
Além das atividades teóricas e visitas técnicas, os estudantes trabalharam no desenvolvimento de projetos com foco em segurança alimentar e nutricional em sistemas tropicais de produção. As propostas foram apresentadas a uma banca no final do programa.
Texto: Caio Albuquerque (5/8/2025)