O
Estilo Inglês rompe a retidão e simetria das linhas e distribuição dos maciços
arbóreo/arbustivos, uma das características principais dos outros estilos da
época, promovendo uma nítida aproximação com a natureza. Predominado pelas
linhas curvas das alamedas, conduz à observação tanto de pontos de destaque,
através de espaços deixados entre maciços, quanto de impedir totalmente a
vista do observador, através da implantação de maciços arbóreo/arbustivos
em locais estratégicos, causando a impressão, de se estar caminhando dentro de
uma mata fechada (Lima, 1987). Esses pontos de destaque, geralmente ficam a
longas distâncias do ponto onde se encontra o observador, chegando às vezes
estarem do lado contrário, próximos aos limites do Parque. Devido a esses
fatos, o projetista pode criar linhas de visadas imaginárias e distribuir os
maciços arbóreo/arbustivos pelo parque, de modo a não impedirem a visualização
dos alvos a serem destacados.
Nos
parques de Estilo Inglês, estão presentes grandes gramados, com amplos
caminhos e se valoriza a topografia do terreno. Plantas floríferas compõem
grandes manchas coloridas sobre o verde, onde árvores aparecem em pequenos
grupos (AFLOTECC, 1990).
O
surgimento do estilo
Segundo
Montenegro (1983), a mais antiga menção de ajardinamento, vem da China, onde o
homem agrupou plantas tentando imitar a natureza e este foi o embrião do Estilo
Paisagístico (Inglês). Pouco depois da China, surgiu na Pérsia e Egito, a
semente de outra tendência de jardim - o geométrico ou regulares.
Segundo
Santos (1975), essas duas tendências se difundiram pelos povos antigos, sendo
alguns deles transpassando fronteiras. O Estilo Naturalista da China passou ao
Japão no século VI, sofrendo modificações, se adaptando à cultura e
filosofia do povo. Este Estilo só se tornou conhecido na Inglaterra no século
XVIII, através de constantes viagem dos europeus à China, que puseram em moda
o gosto pelas coisas vindas de lá. Em 1756, Chambers na volta de uma de suas
viagens à China, foi quem introduziu definitivamente a idéia de colocar
características chinesas nos jardins ingleses através de desenhos dos jardins
do Príncipe de Gales em Kew, segundo os preceitos daquele país. No ano
seguinte, publicou um volume em que desenha edifícios, móveis, trajes e utensílios
chineses, onde dedica um capítulo a arte de compor os jardins segundo o uso dos
chineses, explicando como são feitos. Posteriormente, conduzido pelas mãos hábeis
de Kent, o jardim inglês adquiriu características próprias. Mercadal (1949),
já coloca em dúvida a origem desse novo Estilo, dizendo que alguns autores
atribuem a Charles-René Dufresny, neto do jardineiro Anet.
Santos
(1975), relata que antes do Estilo Inglês se firmar na própria Inglaterra, a
resistência dos ingleses à influências estranhas e continentais, mantinha o
seu estilo fiel a tradição
medieval. Apesar de que, com o tempo, as idéias do Renascimento foram abrindo
caminho, lentamente, no país. Na primeira metade do século XVII, foi criado,
na Inglaterra, um parque ítalo-francês, que mais tarde sofreu a influência do
Estilo de Palladio. Nesses tempos os jardins regulares foram enriquecidos na
Inglaterra por uma forma original de canteiro, adaptado na França. A
Inglaterra, sofreu influência do humanismo, através da topiaria feita na
Holanda, quando Guillerme III da Holanda ocupou o trono da Inglaterra em 1689,
pondo fim a velha tradição. Porém, alguns autores ingleses ridicularizaram o
exagero da arte de topiaria, atacando violentamente os jardins clássicos e
estes foram se modificando, perdendo algumas de suas características,
aumentando os terrenos planos, marcando as grandes linhas e dividindo os
espaços intermediários e retirando os obstáculos visuais, fazendo desaparecer
os muros de cimento e as árvores esculturadas.
Montenegro
(1983), relata que enquanto isso o estilo de jardins regulares, se dividiram em
dois ramos. Os jardins Egípcios, que ficavam nas margens do rio Nilo, com
grandes planos horizontais orientados pelos pontos cardeais pois, na época, a
astrologia era a crença que dominava e o outro ramo foi o dos jardins Persas,
onde os mais famosos do Estilo foram os Jardins Suspensos da Babilônia.
Em
meados do século XVII, o Estilo Egípcio foi introduzido na França e em Roma.
Neste último, foi modificado, dando surgimento ao Estilo Italiano (Jardim da
Renacença). Porém, com a introdução de arquitetos italianos na corte da França,
as idéias do Estilo Italiano foram ganhando espaço. Surgiu então a Escola de
Jardim do Renascimento Francês, que serviu de base ao grande arquiteto e
jardinista de Luis XIV, André Le Nôtre, para criar uma série de jardins e
parques. Surgia aí o Estilo Francês de jardinagem, onde o Parque de Versalhes
(criado por Le Nôtre), é o maior exemplo do Estilo.
Ainda
Santos (1975), assevera que um determinado estilo, quando alcança o seu máximo
de perfeição, entra na fase em que, a repetição das formas consagradas, se
torna cansativa e consequentemente, o desinteresse e quase sempre o abandono. Além
de que, nem todo imitador tem a mesma habilidade artística de Le Nôtre,
descaracterizando as obras. Foi por isso que no século seguinte, o Estilo Francês
caiu, a começar do próprio Luis XIV já envelhecido e cansado do estilo do
parque de Versalhes. Aí Marly Leroi, passou a construir um refúgio para o
grande monarca. Com a morte de Luis XIV, os artistas passaram a criar outros
jardins em outros estilos completamente diferentes do Francês. Iniciava a era
do Estilo Luis XV, que se modificou buscando maior aproximação com a natureza.
Este novo Estilo não foi criado na França e sim nas Ilhas Britânicas, que,
como já comentado, se inspiraram nos jardins chineses do Velho Império. O
Estilo Inglês, que se espalhou por parte da Europa, inclusive para a França,
onde no século XVIII, estava a ponto de se destruir o parque de Versalhes. Este
Estilo ficou em evidência durante dois séculos, tornando-se em seguida
complicado no traçado, com exageros na decoração e deu lugar ao Estilo Misto
de jardinagem. Este Estilo, conforme já comentado, não é preso a nenhuma
regra básica, dando ao jardinista a liberdade de criação.
Características
do estilo
As características do Estilo Inglês de Paisagismo, segundo alguns autores, estão
relatados abaixo:
Montenegro
(1983), cita que o Estilo é marcado por extensos gramados, pequenos bosques,
caminhos em curvas suaves e arbustos ou árvores isoladas.
Santos
(1975), o Estilo Inglês é representado por linhas grandiosas; amplas extensões
verdes (gramados); ruas amplas, cômodas e em pequeno número; terrenos
acidentados e possibilitando a visão de belas perspectivas; pequenos bosques,
compostos de plantas da mesma ou de espécies diferentes, com ou sem divergência
nas colorações; grupos de árvores não muito numerosas; plantas isoladas;
implantação de árvores mortas; construção de ruínas.
Mercadal
(1949), cita alguns elementos usados no Estilo: flores; grandes plantas
ornamentais; arbustos de todos os tamanhos; tanques (para colocação de plantas
aquáticas, cujo maior exemplo são os jardins da Europa no final do século
XVIII, com a introdução de vitória régia trazida do Brasil e América
equatoriana); riachos;
rochas; colinas artificiais; labirintos; quiosques e obras fabricadas.
Bellair
& Bellair (1939), dá um maior detalhamento dos aspectos arquitetônicos
utilizados no Estilo, onde:
- as alamedas: as principais são largas e côncavas para facilitar o escoamento
da água das chuvas e podem ser carroçáveis ou não, dependendo da importância
do parque (Figura 1). Geralmente a alameda que contorna o gramado principal do
parque, que geralmente fica defronte ao prédio, é carroçável e larga, já as
alamedas secundárias, são estreitas e planas e geralmente não carroçável.
Estas características, podem ser vistas na Figura 2. As alamedas, não devem
ser pavimentadas, para auxiliar na infiltração da água (Figura 3).
Figura 1. Desenho mostrando as alamedas:
larga (côncava) e a estreita (plana). Fonte: Bellair & Bellair (1939).

Figura
2. Projeto paisagístico no Estilo Inglês, mostrando as alamedas principais
mais largas e as secundárias, mais estreitas. Fonte: Bellair & Bellair
(1939).
Figura
3. Fotografia do Parque da ESALQ, tirada na década de 50, ilustrando uma
alameda desprovida de pavimento.
- as bifurcações -
quando as alamedas que formam a bifurcação, são da mesma importância (as
duas alamedas são primárias ou secundárias), deve-se causar no observador,
indiferença, abrindo a bifurcação das alamedas, exatamente na bissetriz da
alameda que as formará (Figura 4). Quando de importâncias diferentes, deve-se
direcionar a alameda secundária, para o lado contrário da curva e a primária,
continuar na curvatura que já estava (Figura 5) ou, esta tendo menor largura,
conduz o visitante do parque, cessando a indecisão sobre a direção a tomar
(Figura 6). As bifurcações devem ser cercadas de maciços, para que as
alamedas sejam bem visíveis e a bifurcação seja notada pelo observador.

Figura 4. Desenho mostrando como deve ser
a bifurcação de duas alamedas de mesma importância. Fonte: Bellair &
Bellair (1939).
Figura 5. Desenho mostrando como deve ser
a bifurcação entre uma alameda principal e uma secundária. A guia A é da
alameda côncava e a guia B, da convexa. Fonte: Bellair & Bellair (1939).
Figura 6. Desenho mostrando como deve ser
a bifurcação entre uma alameda principal e uma secundária. Fonte: Bellair
& Bellair (1939).
- a entrada do parque:
é formado por uma alameda reta, com árvores plantadas ao longo da mesma,
alinhadas e em grupos simétricos (Figura 7). Para se chegar na edificação (prédio
principal), tem-se sempre dois caminhos. Nunca a entrada fica defronte à
edificação, mas se não houver outra alternativa, deve-se por motivo de
segurança, implantar um maciço arbóreo na frente do portão de entrada, para
que o observador que passa defronte ao parque, não tenha visão para o seu
interior do parque e ainda, deve-se deixar à vista, as laterais desse maciço,
para que, a segurança da edificação em destaque que está sendo valorizado,
tenha controle de quem adentra o recinto (Figura 8).

Figura 7. Desenho mostrando a entrada de
um parque ladeada por maciços arbóreos. Fonte: Bellair & Bellair (1939).

Figura
8. Desenho mostrando o ângulo de visão que a segurança do parque deve ter
para controlar a entrada de pessoas. Onde: H, é a edificação; C, é um
gramado e L, é o local de visão da segurança. Fonte: Bellair & Bellair
(1939).
- os gramados
apresentam quatro características importantes:
- extensão
- não depende somente das proporções do parque, mas também dos outros
elementos (maciços, rochas, ruas, bosques...). É importante reservar uma
superfície grande para traçar as visadas e principalmente a visada principal
que é a que parte da edificação. Os gramados devem ser longos e largos para
dar aspecto de calma e conforto.
-
forma - têm estreita relação com a direção das alamedas. São as alamedas
que determinam os contornos dos gramados. Geralmente o gramado da frente do prédio
têm formato oval, elíptico ou triangulares curvilíneos, nunca trapezoidais.
-
relevo - a extensão e contorno do gramado, indicam a maneira com que o terreno
decliva ou acliva, e ainda com a presença de pedras ou não. Portanto são dois
elementos os que causam desnível desejado: rochas e pequenos vales. As saliências
devem ficar fora da linha das visadas para não encobri-las ou então, se
adaptarem a elas.
-
ondulações - apresentam 4 fatores:
-
não diferenciar exageradamente do relevo natural do solo;
-
rebaixar o meio do gramado formando rampas convergentes (Figura 9);
-
plantar árvores e arbustos longe dos fundos dos vales, perto dos locais onde
foi colocado solo para formar elevações;
-
entre dois maciços, entre dois canteiros de flores, entre um canteiro e um
maciço,
estabelecer pequenos vales que alcancem o vale principal que é no gramado
principal (Figura 9).

Figura
9. Desenho mostrando como deve ser o relevo do gramado principal, onde: as
linhas AE, CD, FE e GE, delimitam os declives e E, é a cota mais baixa do vale.
Fonte: Bellair & Bellair (1939).
Os
gramados devem dar a sensação ao visitante do parque de estar pisando em um
tapete. Por isso, a espécie de grama deve ser escolhida de acordo com o solo,
clima e condições de irrigação e drenagem, do local.
- os
rochedos: constituem
a segunda forma dos relevos do solo. Os rochedos são a ossatura do solo, que
podem permanecer cobertas por uma fina camada de terra vegetal. Os relevos podem
apresentar formas graciosas ou arredondadas constituindo relevos suaves, como
podem apresentar relevos ásperos, geralmente descoberto de vegetação, ou
coberto por musgos e plantas rasas.
-
classificação estética: se classificado por ordem de valor ou importância
ornamental dos elementos constituintes de um jardim, a primeira parte a ser
analisada será o gramado e as árvores, por último, os rochedos.
-
impressões que os rochedos dão: em regiões montanhosas de solos rasos ou
inexistentes, onde os rochedos aparecem descobertos de vegetação arbórea e/ou
arbustiva, as rochas aparecem com toda sua beleza, que é impressionante e
indiscutível. Mas é necessário lembrar, que o objeto de estudo é um jardim
de impressões agradáveis, que oferecem a serenidade, a calma e a
contemplação,
pois as paisagens citadas acima causam insegurança, que não é o objetivo do
Estilo em questão.
-
a aprovação com certa precaução: como já dito, as rochas só devem aparecer
nos jardins com certa reserva. Esses elementos não devem ser aceitos, por
exemplo, sobre um terreno plano, pois seu lugar na natureza, é nos barrancos,
ribanceiras ou nas grandes alturas, já que os rochedos são elementos de
altitude, assim sendo, dentro das condições que eles encontram na natureza,
eles podem ser usados por trabalhos de terraceamento e escavamento, pondo assim,
os rochedos no relevo.
-
regras impostas: com a concepção de jardins paisagísticos (ou ingleses), as
regras a seguir serão impostas como de bom gosto para os locais onde serão
introduzidos rochas com caráter paisagístico. Tirar a maioria dos rochedos que
não têm afinidade com a origem natural do solo. Os rochedos só são aceitos
quando são colocados nos declives, ou na base das subidas, ou melhor, quando
eles formam um apoio de rochas, que sustentam a altura da paisagem.
Não
utilizar nenhum tipo de rocha, natural ou artificial, que cause impressão de
instabilidade e insegurança a quem caminha pelo jardim.
Dentro
dessas condições, evitar rochas que dêem um ar de suspeitas no espaço, nem
rochas enterradas, que logo quando se passe, transmita a idéia de um possível
desabamento.
Dar
preferência a rochedos que ofereçam disposição normal, em bancos horizontais
ou oblíquos, aos rochedos em bancos verticais, sendo estes últimos mais raros
na natureza.
Admite-se
ainda, dois tipos de disposição:
1º
- em massas mais ou menos agregadas, com ressaltos, de forma áspera etc;
2º
- em blocos separados, como se fosse proveniente de desmoronamentos naturais,
enterrados no solo, a uma pequena distância da massa principal, de onde eles
provêm.
-
as árvores: são elementos
essenciais na decoração de um jardim paisagista. Podem estar presentes no
parque nas seguintes formas:
-
florestas e bosques - no Estilo Francês, plantam-se as árvores agrupadas e
bastante adensadas formando um bosque e as recorta simetricamente com caminhos.
Em outros estilos, deixa se uma abertura no bosque para visualização da
edificação. Nesse caso, para dar um ar mais pitoresco, é recomendável que se
mexa nas cotas do terreno. Outra alternativa, é deixar a borda do maciço
recortada, com árvores plantadas fora de alinhamento, próximas ao maciço
adensado, para dar um ar mais pitoresco, ou manter um alinhamento de plantio
segundo uma forma arredondada, para ficar mais tradicional (Figura 10).

Figura 10. Desenho mostrando a borda do maciço
recortada (desenho à esquerda) e arredondada (desenho à direita). Fonte:
Bellair & Bellair (1939).
-
maciços - as árvores são ainda plantadas adensadas, se confundindo com a
cobertura de grande superfície. São compostos por pequeno número de essências
onde uma não domina as outras. No espaço reservado para os maciços, que estão
em primeiro plano, são plantadas árvores de folhagem verde escuro e os
afastados, de folhagem verde claro. Da mesma forma que nos bosques, as bordas
dos maciços devem ser recortadas irregularmente, apresentando linhas
arredondadas. Quando a borda do maciço é regular, é recomendável a implantação
de canteiros floríferos no local.
-
localização dos maciços - são indicados conforme a necessidade de se
adaptarem ao local: necessidade de dar segurança impedindo a visada a certos
pontos da propriedade, proteger o pomar e todos os pontos ao redor do jardim, a
fim de mascarar as casas dos vizinhos, os muros e as cercas, necessidade de
impedir a visão dos limites da propriedade, necessidade de desimpedir e
desenquadrar os espaços que conduzem a pontos de visada; necessidade de obter
sombra sobre os pontos vizinhos aos cruzamentos, quadras de tênis, salas de
jogos ou de repouso para dar uma característica de intimidade. Os maciços
devem ficar 0,6 m a 1,5 m de distância da borda do canteiro em relação à
alameda.
- grupos de árvores - são grupos de poucas árvores que podem ficar
praticamente contíguos ao maciço ou isolados deles. Os grupos podem ser
formados por 3, 4, 5 ou 7 árvores/arbustos, que são dispostos regular (formando
losangos, quadrados, triângulos) (Figura 11) ou irregularmente (totalmente
disforme, sem obedecer um polígono regular) (Figura 12). Elementos (maciços,
montículos, coretos, rochas) são implantados em alamedas curvas
para ressaltar a curvatura.

Figura 11. Desenhos mostrando as várias maneiras de
distribuir regularmente as árvores. Fonte: Bellair & Bellair (1939).

Figura 12. Desenhos mostrando as várias maneiras de
distribuir irregularmente as árvores, onde: T, para 3 árvores; K, para 4; C,
para 5 e S, para 7. Fonte: Bellair & Bellair (1939).
-
árvores isoladas - são geralmente árvores especiais, nativas ou exóticas,
que possuam beleza extraordinária. São plantadas em pontos de visada especiais.
- as vistas: há
uma estreita ligação entre as árvores e as vistas. Uma vista, é uma superfície
enquadrada, onde, ao fundo existe um objeto (monumento, colina, um grupo de árvores
formando um ponto de vista, uma árvore isolada etc). Assim, deve-se considerar
três fatores: o ponto de vista, o espaço livre até onde o olho do observador
está e o quadro.
-
posição dos pontos de vista - os pontos de vista estão no interior do jardim
ou fora dele. Nos pequenos jardins das cidades, não se deve ter as vistas fora
deles, ou ainda, ter o cuidado de mascarar uma falsa impressão, se ela existir.
Já
em um jardim extenso, situado no campo, querer traçar as vistas dentro dos
limites da propriedades, é um erro. Deve-se, ao contrário, respeitar as áreas
de fora, como as colinas, os rios, os bosques, os vilarejos, o mar etc, pois
estes pontos de vista, longínquos, vão se distanciando, como o branco da
manhã,
o negro da noite e o multicolorido do meio dia, quando o sol, os banha de luz.
-
criar paisagens e aumentar a extensão da linha de visada - é a busca dos
pontos de vistas no exterior do jardim, criando paisagens e aumentando-se assim,
as divisas do terreno onde o mesmo se instalará.
Assim
que escolhida a paisagem para ser enquadrada, deve-se colocar nos primeiros
planos, árvores altas e para os planos sucessivos, árvores cada vez mais com
menor altura. Assim para a linha de vista, aparecerá um grande vasto, onde a
mesma caminhará (Figura 13). Este engenhoso procedimento poderá ser inútil,
se for escolhido o ponto de vista, perto do limite do jardim, deixando-se uma
paisagem natural de fora, como por exemplo: um barranco arborizado, uma ilha
etc.
Figura 13. Desenho mostrando como se deve dispor as
árvores, para direcionar as linhas de vista. Fonte: Bellair & Bellair
(1939).
-
centrar e determinar os pontos de vista - como em uma pintura, deve-se buscar,
na criação, vistas bem centralizadas, bem determinadas, a fim de evitar o
cansaço do olho, que se perde sobre espaços muito extensos, com ausência de
relevos e quadros.
Com
o objeto essencial para formar uma determinada paisagem (pontes, rios, árvores,
coreto etc), o principal cuidado é de agrupar no primeiro plano, aos dois lados
do ponto de vista, grupos de árvores que forçam o olho a observar sempre em
frente. Um pouco mais longe, sucessivamente, sempre dos dois lados da linha de
vista, outros grupos de árvores que indicam a direção do ponto do observador,
centrados na paisagem.
-
centro de partida das vistas - os pontos de partida de linhas de vistas, são
razoavelmente numerosos e importantes, onde um deles, geralmente o da
edificação,
é o principal e domina os outros pontos.
No
jardim, a edificação não é somente o centro de partida, mas um centro de
convergência das vistas, onde devem passar a maioria das linhas de vistas.
Tem-se todos os lados da edificação para ser explorado, porém, devem ser
enquadrados com a implantações de árvores, ao seu redor, emoldurando-a.
Comparando
com a edificação, os outros centros de partida das vistas são secundários e
são indicados para relevos naturais do solo e marcados por um estabelecimento,
edícula, coreto, banco, maciço arbóreo etc.
- as
flores: são
interessantes peças do Estilo Naturalista (Inglês). Se as árvores são
interessantes pelas suas formas, as flores seduzem pela sua coloração. Mas são
consideradas de segunda grandeza, pois, mesmo se optando por espécies mais
rústicas,
requerem manutenção, que, muitas vezes, é indesejável.
Devem
ser usadas, formando-se canteiros, em lugares estratégicos, como por exemplo:
na frente da edificação (figura 14), na frente dos maciços arbóreos, em
pontos de vista etc, enfatizando o local.
Figura 14. Desenho mostrando como se deve
distribuir o canteiro de flores na frente da edificação. Fonte: Bellair &
Bellair (1939).
- as
águas: em
um local pouco acidentado, é possível criar um jardim com os objetos normais (árvores,
arbustos, gramados, flores etc) e mais de 50% dos jardins não comportam outros
objetos. Quando o relevo é acentuado, com barrancos e concavidades, pode-se
optar por outros elementos: como a água e as rochas.
Na
natureza, as águas ficam dormente, caem, correm, brotam etc e, sendo o Estilo
Paisagístico Inglês) de jardim, uma imitação da natureza, deve-se, ao
máximo,
tentar deixar o rio, lago, corredeira, etc, com aspecto natural, modificando-se
o relevo onde o mesmo vai ser implantado.
As
águas dormentes (lagos), dão a impressão de descanso, as correntes (cascatas), dão impressão de
agitação, de movimento. No geral, as águas
paradas devem ser usadas em grandes espaços, como em parques públicos, por
exemplo e as águas correntes, em pequenas propriedades privadas.
O
parque precisa ainda, de área destinada à construção de estufas e casas de
vegetação, para produção de floríferas vivazes e anuais para reposição
nos canteiros, a fim de manter, tanto o embelezamento do parque propriamente
dito, quanto da edificação.
Dois
exemplos de planta baixa de parques executado no Estilo Inglês de Paisagismo,
dentre eles, um realizado por Arsenio Puttemans e outro de local desconhecido,
podem ser vistos nas figuras abaixo (Figuras 15, e 16).
Figura
15. Projeto Paisagístico de Parque para a Praça de São Bento em Niterói-RJ,
elaborado por Arsenio Puttemans.
Figura
16. Projeto Paisagístico de um parque no Estilo Inglês de Paisagismo.
BIBLIOGRAFIA
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G.A.; BELLAIR, P.A. Parcs et jardins.
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Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1975. 456p. |

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AFLOTECC - Assessoria Técnica e Consultoria S/C Ltda.
Apostila de Curso - São Paulo, 1990. Não publicada