USP ESALQ – DIVISÃO DE COMUNICAÇÃO
Veículo: Agência USP de Notícias
Data: 11/02/2016
Caderno/Link:
Assunto: Manejo de espécie invasora restaura ambiente ribeirinho
______________________
Manejo de espécie invasora restaura ambiente ribeirinho
Ana Carolina Brunelli e Alícia Nascimento Aguiar, da Assessoria de Comunicação da Esalq
No Brasil, é comum se deparar com o
Pinus elliotti
, espécie de pinheiro muito presente no Estado
de São Paulo e no Sul do País, em áreas de reflorestamento. No entanto, a presença dessa
árvore, principalmente próxima às zonas ripárias, que se integram ao curso d’água dos rios, pode
provocar prejuízos ambientais. Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da
USP, em Piracicaba, pesquisa da bióloga Marli Ramos demonstra o impacto da espécie em áreas
de preservação permanente e recomenda a substituição por vegetação nativa nas áreas ripárias
ao longo de toda a extensão dos cursos d’água.
Espécie pode provocar prejuízos ambientais em áreas junto ao leito de rios
A pesquisadora iniciou sua dissertação com o seguinte questionamento: É necessário eliminar
o
Pinus elliottii
de zonas ripárias? A partir desse ponto, Marli dedicou-se a descobrir a existência
de alguma relação entre os atributos físicos e químicos em áreas ripárias com a disseminação e
presença da espécie e quais seriam as vantagens e desvantagens para o meio ambiente. A
bióloga atua, hoje, como analista ambiental, funcionária do Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e trabalha na Floresta Nacional de Capão Bonito.
“Essas zonas são extremamente importantes como geradoras de serviços ecossistêmicos
essenciais como: estabilidade térmica e dos solos, mitigação de carreamento de sedimentos e
nutrientes para os cursos d’água, corredores ecológicos para fauna e flora, qualidade e
quantidade de água, regularização dos regimes hídricos e ciclagem de nutrientes”, ressalta a
pesquisadora. A pesquisa, destinada a auxiliar o manejo do pinheiro para a restauração das
áreas ribeirinhas, foi orientada pela professora Teresa Cristina Magro, do Departamento de
Ciências Florestais da Esalq e realizada na Floresta Nacional de Capão Bonito.
Dispersão e invasão
Na região, a bióloga notou uma visível degradação das áreas ripárias pela dispersão e invasão
causadas pela espécie exótica
Pinus elliottii
. “Apesar das vantagens dos plantios dos pinheiros,
outras espécies de Pinus se tornaram um sério risco aos problemas relacionados à invasão
biótica, ocasionando perdas econômicas e ambientais”, conta Marli. A pós-graduanda verificou a
dispersão de
Pinus elliotti
, dentro de diferentes níveis de distância e sua correlação com os
atributos físicos e químicos: densidade, área basal, umidade, cobertura de copa, cobertura e
altura de solo, e ainda, pH; independente de níveis de distância, como contribuição à restauração
ambiental.
De acordo com a bióloga, a pesquisa apresentou resultados de que a espécie causa
representativo impacto em áreas de preservação permanente. “Há expressiva densidade