Histórico do Parque
O Parque da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” foi idealizado pelo arquiteto-paisagista belga Arsenio Puttemans. A implantação do projeto original iniciou ao redor de 1905 com auxílio de Luiz Teixeira Mendes, professor de Fruticultura e Silvicultura da Escola na época. Foi inaugurado em meados de 1907 (Figuras 1 e 2).
Pode-se observar na Figura 1 um maciço recém-implantado e o Prédio Central, ainda térreo, possuindo apenas nas laterais dois pavimentos. Já na Figura 2 tem-se outros maciços recém-implantados e ao fundo vê-se o galpão onde hoje encontram-se dois lagos (Lima, 1987).
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| Figura 1. Fotografia ilustrando um maciço recém-implantado e o Prédio Central. | Figura 2. Fotografia ilustrando vários maciços recém-implantados e o galpão ao fundo. |
Cabe lembrar que não se sabe da existência de lista ou sugestão feita pelo idealizador do projeto paisagístico do Parque, referente às espécies vegetais a serem utilizadas no mesmo, ficando essa tarefa, para os responsáveis pela implantação. Também não se sabe se estes últimos fizeram catalogação das plantas colocadas na área. Após este período foram realizados dois Levantamentos Florísticos, o primeiro realizado em 1965 por Manoel Fadigas, e o segundo em 1991 pela equipe do Prof. Dr. Ricardo Ribeiro Rodrigues.
O projeto original do Parque foi quase totalmente implantado, faltando apenas a construção de um coreto na parte frontal direita do Parque, conforme pode-se observar na Figura 3.
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| Figura 3. Desenho do projeto original do Parque da ESALQ visto em perspectiva. |
Entre os anos de 1922 e 1959 iniciou-se uma fase de expansão e manutenção do projeto original, sob responsabilidade do Prof. Philippe Westin Cabral de Vasconcellos, que idealizou os canteiros ao redor dos pavilhões de Química (1930), Horticultura (1946) e Engenharia (1947-1948), orientando a introdução de espécies tanto nativas como exóticas (Figura 4). Essa dedicação foi reconhecida e em maio de 1986 o Parque passou a ser denominado oficialmente “Parque Philippe Westin Cabral de Vasconcellos”.
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| Figura 4. Planta baixa ilustrando a área total do Parque. |
No destaque pode-se observar a área projetada originalmente.
Em 1935 ocorreram algumas modificações como a construção de dois lagos na parte esquerda do Parque, projetados pelo Prof. Vasconcellos, responsável pelo Parque na época. No local da implantação havia anteriormente um galpão destinado à ginástica, sendo posteriormente ocupado pelo Laboratório de Química. Estes dois lagos mais o lago defronte ao Pavilhão de Engenharia (1948) e o defronte ao Prédio da Horticultura (1946) foram construídos para servirem de reservatórios de água, prevenção de incêndios e irrigação de culturas.
Tempo depois, por volta de 1966, foi construído um prédio destinado a abrigar a Biblioteca da Escola, onde hoje funciona a Seção de Alunos, que veio descaracterizar o projeto original, ocupando local onde passavam duas linhas de visada, além de ter a fachada de tijolo à vista e concreto, totalmente diferente do material utilizado no Prédio Central e outras construções existentes no Parque. Houve a construção de um portal na entrada principal do Parque e ainda, a pavimentação de parte de suas ruas e consequente impermeabilização, fato este que, apesar de não estar nas citações de Bellair & Bellair (1939), contraria os princípios agronômicos no tocante à infiltração de águas pluviais.
Cabe lembrar que, através de observações em outros parques não importando o estilo dos mesmos, a prática da impermeabilização dos caminhos restringe-se a locais necessários.
Como destaque de alta relevância para a comunidade, no Parque repousam os corpos de Luiz Vicente de Souza Queiroz e o de sua esposa Sra. Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz. O canteiro de flores que abriga as lápides encontra-se defronte ao Prédio Central, respeitando o Estilo Inglês apresentado no item Estilo Inglês de Paisagismo na Figura 14.
Segundo Vasconcellos (1976), em meados de 1941 foi implantado no gramado central do Parque, próximo ao Prédio Central, um marco geodésico doado pelo Governo do Estado para auxílio nos estudos de astronomia e orientação dos mapas topográficos.
Quando Luiz Vicente de Souza Queiroz doou as terras para que fosse construída uma Escola Agrícola, segundo relatos colhidos, ele pediu para que os solos mais férteis ficassem para a lavoura, enquanto a área de solo mais pobre fosse destinado ao jardim. Portanto o local onde se construiu o Parque tinha condições precárias de solo, tendo sido necessário um árduo trabalho de troca de solo (Figura 5) realizado por vagonetes em trilhos puxados por animais.
Mesmo com a troca de solo as plantas demoravam muito tempo para crescer, tendo o processo sido acelerado a partir do momento em que o material vegetal existente embaixo dos maciços, decorrente da queda de folhas, ramos, frutos etc, deixou de ser recolhido, enriquecendo assim o solo.
Outro fato interessante é que como o solo local é muito raso, tendo folhelhos de formação Corumbataí a alguns centímetros de profundidade, nos locais onde seriam implantados os maciços, a deposição de solo foi maior, formando verdadeiros murundus, para que as raízes das árvores tivessem mais espaço vertical para se desenvolverem. Este fato é citado na revisão bibliográfica sobre o Estilo Inglês de Paisagismo.
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| Figura 5. Fotografia da troca de solo por volta de 1906. |
Lima (1987) salienta a importância da conservação do Parque da ESALQ como patrimônio histórico, já que as poucas obras realizadas no Brasil por Arsenio Puttemans tais como o projeto do Jardim do Ipiranga, da Praça da República e Várzea do Braz, em São Paulo, e a Praça de São Bento em Niterói, o Parque da ESALQ é hoje o único que permanece praticamente inalterado.
Várias outras fotografias do Parque da ESALQ podem ser vistas em fotografias históricas.
Bibliografia
- BELLAIR, G.A.; BELLAIR, P.A. Parcs et jardins. Paris: Encyclopédie Agricole, 1939. 348p.
- LIMA, A.M.L.P. Nosso Parque faz 80 anos. Revista da ADEALQ, v.10, n.6, p.20-22, 1987.
- VASCONCELLOS, P.W.C. O marco geográfico da ESALQ. In: ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA "LUIZ DE QUEIROZ". ESALQ 75: 75 anos a serviço da Pátria. Piracicaba, 1976. p.94




