O surgimento do estilo
Segundo Montenegro (1983), a mais antiga menção de ajardinamento vem da China, onde o homem agrupou plantas tentando imitar a natureza e este foi o embrião do Estilo Paisagístico (Inglês). Pouco depois da China, surgiu na Pérsia e Egito a semente de outra tendência de jardim - o geométrico ou regulares.
Segundo Santos (1975), essas duas tendências se difundiram pelos povos antigos, sendo alguns deles transpassando fronteiras. O Estilo Naturalista da China passou ao Japão no século VI, sofrendo modificações e adaptando-se à cultura e filosofia do povo. Este Estilo só se tornou conhecido na Inglaterra no século XVIII, através de constantes viagens dos europeus à China, que puseram em moda o gosto pelas coisas vindas de lá.
Em 1756 Chambers, na volta de uma de suas viagens à China, foi quem introduziu definitivamente a idéia de colocar características chinesas nos jardins ingleses através de desenhos dos jardins do Príncipe de Gales em Kew, segundo os preceitos daquele país. No ano seguinte, publicou um volume em que desenha edifícios, móveis, trajes e utensílios chineses, onde dedica um capítulo a arte de compor os jardins segundo o uso dos chineses, explicando como são feitos. Posteriormente, conduzido pelas mãos hábeis de Kent, o jardim inglês adquiriu características próprias. Mercadal (1949) já coloca em dúvida a origem desse novo Estilo, dizendo que alguns autores atribuem a Charles-René Dufresny, neto do jardineiro Anet.
Santos (1975) relata que antes do Estilo Inglês se firmar na própria Inglaterra, a resistência dos ingleses à influências estranhas e continentais, mantinha o seu estilo fiel a tradição medieval. Apesar de que, com o tempo, as idéias do Renascimento foram abrindo caminho, lentamente, no país. Na primeira metade do século XVII foi criado, na Inglaterra, um parque ítalo-francês que mais tarde sofreu a influência do Estilo de Palladio.
Nesses tempos os jardins regulares foram enriquecidos na Inglaterra por uma forma original de canteiro, adaptado na França. A Inglaterra sofreu influência do humanismo através da topiaria feita na Holanda, quando Guillerme III da Holanda ocupou o trono da Inglaterra em 1689, pondo fim a velha tradição.
Porém alguns autores ingleses ridicularizaram o exagero da arte de topiaria, atacando violentamente os jardins clássicos e estes foram se modificando, perdendo algumas de suas características, aumentando os terrenos planos, marcando as grandes linhas e dividindo os espaços intermediários e retirando os obstáculos visuais, fazendo desaparecer os muros de cimento e as árvores esculturadas.
Montenegro (1983) relata que o estilo de jardins regulares dividiram-se em dois ramos. Os jardins Egípcios, que ficavam nas margens do rio Nilo, com grandes planos horizontais orientados pelos pontos cardeais pois, na época, a astrologia era a crença que dominava. O outro ramo foi o dos jardins Persas, onde os mais famosos do Estilo foram os Jardins Suspensos da Babilônia.
Em meados do século XVII, o Estilo Egípcio foi introduzido na França e em Roma. Neste último, foi modificado, dando surgimento ao Estilo Italiano (Jardim da Renacença). Porém, com a introdução de arquitetos italianos na corte da França, as idéias do Estilo Italiano foram ganhando espaço. Surgiu então a Escola de Jardim do Renascimento Francês, que serviu de base ao grande arquiteto e jardinista de Luis XIV, André Le Nôtre, para criar uma série de jardins e parques. Surgia aí o Estilo Francês de jardinagem, onde o Parque de Versalhes (criado por Le Nôtre), é o maior exemplo do Estilo.
Ainda Santos (1975) assevera que um determinado estilo, quando alcança o seu máximo de perfeição, entra na fase em que, a repetição das formas consagradas, se torna cansativa e consequentemente, o desinteresse e quase sempre o abandono. Além de que, nem todo imitador tem a mesma habilidade artística de Le Nôtre, descaracterizando as obras. Foi por isso que no século seguinte, o Estilo Francês caiu, a começar do próprio Luis XIV já envelhecido e cansado do estilo do parque de Versalhes.
Aí Marly Leroi passou a construir um refúgio para o grande monarca. Com a morte de Luis XIV, os artistas passaram a criar outros jardins em outros estilos completamente diferentes do Francês. Iniciava a era do Estilo Luis XV, que se modificou buscando maior aproximação com a natureza. Este novo Estilo não foi criado na França e sim nas Ilhas Britânicas que, como já comentado, se inspirou nos jardins chineses do Velho Império.
O Estilo Inglês espalhou-se por parte da Europa, inclusive para a França, onde no século XVIII estava a ponto de destruir o parque de Versalhes. Este Estilo ficou em evidência durante dois séculos, tornando-se em seguida complicado no traçado, com exageros na decoração e deu lugar ao Estilo Misto de jardinagem. Este Estilo, conforme já comentado, não é preso a nenhuma regra básica, dando ao jardinista a liberdade de criação.