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  • Pesquisadores buscam melhoramento do guaranazeiro


Enviado em: 05/07/2010 às 12:05:49

O Guaranazeiro é uma cultura vegetal amazônica de grande valor econômico e, exceto pequenas áreas plantadas na Amazônia peruana e venezuelana, o Brasil é o único produtor de guaraná em escala comercial no mundo. O emprego do fruto nas indústrias de alimentos, farmacêutica e cosmética é significativo, sendo utilizado como matéria-prima na produção de refrigerantes, xaropes, sucos, pó estimulante, pastas de dente, sabonetes e xampus e em cosméticos direcionados ao tratamento de pele oleosa e celulite. Além disso, o guaraná apresenta caráter diurético e ação tônica cardiovascular.

A cultura e comercialização do fruto do guaranazeiro movimenta mais de 3 mil pequenos produtores só na região de Maués (AM). Entretanto, a produção de guaraná no Amazonas tem diminuído constantemente e atualmente o estado da Bahia, devido às condições climáticas e pouca incidência de fitopatógenos é o estado líder na produção. O governo do estado do Amazonas vem investido na produção de mudas selecionadas, com auxílio de variedades melhoradas que estão sendo produzidas pela Embrapa.

A principal causa da baixa produção de frutos do guaranazeiro é a incidência de doenças, principalmente as de natureza fúngica como a antracnose. Este mal ataca a cultura principalmente quando a plantação é formada por mudas cultivadas e em agrupamentos formando um pomar. "Nesse caso o índice de perda é quase que total, não há o que fazer. Tem que ser guaraná nativo, pois trata-se de uma cultura que sustenta muita gente no norte do País, mas apresenta essa limitação comercial pela necessidade extrativista ainda", aponta o professor Francisco Tanaka, do departamento de Fitopatologia e Nematologia (LFN) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ).

Um estudo visando ao isolamento e caracterização molecular de fungos e bactérias presentes nas folhas do guaraná vem sendo realizado na Universidade Federal do Amazonas. Concomitante, pesquisadores do Núcleo de Microscopia Eletrônica na Agricultura, da ESALQ, detectaram a presença de micovirus em alguns desses isolados. Um convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) permitirá que as pesquisas desenvolvidas no Amazonas e em Piracicaba (SP) tenham resultados compartilhados. O projeto "Microrganismos associados ao guaranazeiro com potencial biotecnológico e agrícola, especialmente visando ao controle da antracnose" foi contemplado e receberá aporte financeiro nos próximos dois anos. Uma equipe de pesquisadores, coordenados na ESALQ pelo professor Elliot Watanabe Kitajima, do departamento de Fitopatologia e Nematologia (LFN) e, no Amazonas, pelo professor Spartaco Astolfi Filho, atuará no isolamento e caracterização de microorganismos localizados em plantas doentes e sadias e na identificação de isolados microbianos com capacidade de reduzir a incidência e ou intensidade dos sintomas da antracnose.

O intercâmbio prevê que pós-graduandos de Manaus visitem a ESALQ para participarem de cursos de microscopia eletrônica e, ainda, auxiliarem na detecção e caracterização de micovirus e na caracterização de bactérias por vias clássicas e moleculares. Pesquisadores seniores do AM também virão até Piracicaba para ministrar palestras e mini cursos abrangendo aspectos da cultura e usos do guaraná. Em contra partida, professores da ESALQ seguirão para Manaus para coordenar mini cursos sobre isolamento de bactérias, virologia e importância dos vírus como patógenos vegetais.

Kitajima lembra que a parceria com os pesquisadores da UFAM contribuirá também na elucidação de aspectos ainda pouco estudados como o papel do micovirus em fungos patogênicos e na possibilidade de utilizar microorganismos endofíticos, epifíticos e da rizosfera, não apenas os cultiváveis, no controle de doenças. "A intenção é que possamos desenvolver produtos e processos que reduzam a incidência da doença e favoreçam o vigor da planta hospedeira. Em outras palavras, o objetivo básico do projeto é melhorar a viabilidade comercial dessa planta, a partir do controle da antracnose e, em paralelo, os pesquisadores do Amazonas continuam tocando projetos de seleção de variedades com melhores características comerciais", aponta o professor da ESALQ.

Pesquisadores

Além do professor Elliot Watanabe Kitajima, a equipe de São Paulo é composta por Francisco André Ossamu Tanaka, Jorge Alberto Marques Rezende e Lílian Amorim, ambos do departamento de Fitopatologia e Nematologia (LFN), João Lucio Azevedo, professor aposentado do departamento de Genética (LGN) e atual coordenador na área de microbiologia do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), Paulo Teixeira Lacava, da Universidade Federal de Alfenas (MG) e Wellington Luiz de Araujo, da Universidade de Mogi das Cruzes. Em Manaus, além do professor Spartaco Astolfi Filho, compõe a equipe José Odair Pereira, Pedro Queiroz Costa Neto, Leonor Alves de Oliveira da Silva e Ágata Cristiane Huppert Giancolli, todos da UFAM.

Texto: Caio Albuquerque

Fruto do guaraná selvagem
Crédito: Francisco André Ossamu Tanaka

A principal causa da baixa produção de frutos do guaranazeiro é a incidência de doenças, principalmente as de natureza fúngica como a antracnose
Crédito: Francisco André Ossamu Tanaka

Pomar de guaranazeiros: cultura e comercialização do fruto movimenta mais de 3 mil pequenos produtores só na região de Maués (AM)
Crédito: Francisco André Ossamu Tanaka