Inclusão e diversidade nas organizações

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2º Encontro sobre Diversidade e Inclusão nas Organizações ( Foto: Gerhard Waller)
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Refletir sobre as questões relacionadas à inclusão e à diversidade no ambiente de trabalho. Esse foi o objetivo do 2º Encontro Sobre Diversidade e Inclusão nas Organizações, ocorrido no dia 16 de agosto, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba.

“Minha sala fica aqui no andar de cima deste Pavilhão, eu estou em todos os eventos do nosso departamento, mas em poucas oportunidades eu encontrei esse auditório tão lotado”, confessou a professora Miriam Rumenos Piedade Bacchi, chefe do departamento de Economia, Administração e Sociologia.

De fato, a impressão da professora Mirian se confirmou pois durante todo o dia, manhã e tarde, a sequência de palestras foi acompanhada com total assiduidade e atenção por estudantes, professores, servidores técnicos e representantes da comunidade. “Do ano passado para cá aumentou a procura de alunos e empresas querendo participar enquanto apoiadores, indício que essa temática é pertinente”, revela a professora Heliani Berlatto, coordenadora do evento e do Grupo de Estudos de Carreira, Organizações e Pessoas (Gecop) da Esalq.

Mas o que atraiu tanto o público? A gerente de diversidade e inclusão no United Health Group, Esabela Cruz, indica a resposta. “A cultura da inclusão é uma jornada de longo prazo na qual precisamos investir bastante em oportunidades para repensar nossos padrões e desenvolver compaixão para que possamos entender o outro sem julgá-lo e entendendo que há valor na diversidade. Ainda vivemos em um mundo baseado em padrões e normas e o desafio é fazer as pessoas a repensarem os seus modelos”.

Esabela mediou uma das rodas de conversas que contou com a presença de representantes de empresas que praticam inclusão. Uma das participantes foi Michelle Effren, cadeirante que atua no banco JPMorgan. Para Michelle, o evento possibilitou que as pessoas possam a ter uma visão melhor sobre a inclusão. “O tema diversidade ainda é pouco falado e se tivermos oportunidade de falar, temos oportunidade de aprendermos a lidar com esse tema, pois ainda temos pouco conhecimento. Falar para esse público possibilita que as pessoas me olhem enquanto cidadã, que trabalha e tem a possibilidade de ter suas escolhas, seu carro, sua casa, sua profissão”.

O aspecto profissional tem que começar, segundo a coordenadora do encontro, desde os bancos acadêmicos pois, para a professora Heliani, embora este seja um tema latente, não encontramos muitas ações nesse sentido dentro das disciplinas, por exemplo. “Os profissionais que estamos formando para o mercado de trabalho precisam saber que vão encontrar a diversidade e que a inclusão faz parte do processo. É preciso respeitar as diferenças e sensibilizar as pessoas para esse olhar humano”.

Jéssica Pereira da Silva tem síndrome de Down, mas isso não a define. Proprietária da cafeteria Bellatucci, disse que escolheu para si um ramo com o qual se identifica e teve a ideia de empreender a partir de um curso que fez de gastronomia. “É um sonho ter um lugar para trabalhar, devo muito à minha família e sou muito feliz em ter as pessoas do meu lado”. Jessica foi eleita como a melhor empreendedora com deficiência pelo governo de São Paulo. Durante sua fala, Jéssica esteve acompanhada pela irmã Priscila dela Bella. Priscila contou que abriu o negócio que era um sonho da irmã. “Entramos como sócio eu e meu marido e a partir disso passamos a empregar outras pessoas com deficiência. A motivação veio da minha irmã, a empreendedora e temos um retorno muito positivo, pois as pessoas se sentem úteis no local de trabalho e isso é fundamental. Não estamos dando vaga para fazer de conta, mas porque precisamos delas”.

Entre os palestrantes esteve ainda Laura Vizioli, jovem autista que vai começar a trabalhar em uma grande instituição financeira. Laura disse ter participado de vários processos seletivos, mas que esses processos não oportunizaram equidade de condições para os candidatos. Foi aí que a piracicabana descobriu a Specialisterne, uma empresa social que dá valor às características especiais das pessoas com autismo. “Cada pessoa com deficiência precisa ser tratada como única. Para falar com os autistas, por exemplo, é preciso ser direto, sem rodeios. E na Specialisterne isso é possível”. Durante o evento, Rute Rodrigues, tutora de formação da empresa que tem matriz na Dinamarca, falou sobre o processo de inclusão de autistas a partir da formação recebida na Specialisterne. “Essas pessoas apresentam muitos talentos que até então ficavam escondidos. Precisamos valorizá-los e a nossa formação contempla habilidades sociais e conhecimento técnico em áreas de tecnologias da informação”.

A organização das atividades contou com o envolvimento de estudantes que integram o Gecop, que aliás garantiram a plena circulação dos presentes de forma ágil e facilitada. “É uma satisfação ver um tema como esse atrair tantas pessoas, que assumiram a proposta de refletir e olhar com atenção e cuidado o outro e entender que esse outro tem o seu espaço. O apoio das empresas legitima essa atitude. O que vivemos aqui foi um momento de coesão entre a prática e a teoria fazendo sentido, um dos propósitos da universidade”, finaliza a professora Heliani.

O grande interesse pelo evento obrigou o Gecop a transmiti-lo pelo youtube e coordenar uma roda de conversas por wattsapp, a partir da qual a plateia externa pode encaminhar questões aos palestrantes. Quem quiser, pode assistir a gravação do evento clicando aqui (https://www.youtube.com/channel/UCjlA1-RatWmq_X5BNPu0W3Q/live?reload=9).

Texto: Caio Albuquerque (17/08/2018)

Palavra chave: 
inclusão diversidade organizações